Tentou não se entregar, naquele momento ele tentaria mover-se, tentaria de alguma forma arrancar seus pés daquela lama que o prendia, puxaria, forçaria, alguma forma havia de sair dali, mas, parou, lembrou do grito e ainda sentia o frescor que as lágrimas proporcionaram a ele, sentiu medo, sentiu uma dor que começava lá longe do corpo e vinha, com tanta força, mas, tanta força que lhe socava o peito, amassando, comprimindo e parando, para começar novamente a tomar força e vir em sua direção. Pensou consigo, pensou sorrir pela idéia que teve, e, se entregou à pancada, que, de tão forte, consiguiu fazer com que sua perna, num momento quem sabe de susto, ou se preparando para suportar a dor, meche-se, sentiu seus ossos rangerem, sua carne e musculos poderiam até falar naquele momento, ESTAMOS VIVOS... lembrou que caminhar era um, após o outro, e se pôs a repetir isso, um, dois, um, dois e estava andando, pegou um copo e algo que lhe parecia útil e foi até o rio sangrento, caminhou para um local do rio que, sem explicação alguma, afastava as pessoas, ali, do chão brotava água limpa... ele encheu seu copo, tomou um grande gole, abaixou-se com o que estava na mão, e, lembrou-se tratar de um cantil, o encheu até a tampa e dessa vez, sorriu.. virou-se em direção ao sul e partiu, agarrado a um papel que lhe falava pouco, mas, que significava muito.
Tentou não olhar para trás, como imaginou tantas vezes aquele momento, mas, olhou e ninguém o seguia, nem mesmo o velho cachorro, nem mesmo os lamentos, nem mesmo a dor ou a visão de morte que encharcava aquele lugar... olhou novamente para frente, e, naquele momento sentiu-se vivo...
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