Ainda olhava para o papel, descrente que em um lugar tão sem vida haveria de encontrar algo que o fizesse, pelo menos por um pequeno instante, acreditar em algo. Naqueles dias, ou meses, ou anos quem sabe, a única coisa que ouvia era o lamento incessante dos poucos que lutavam por sobrevivência, que, havia de admitir, a cada dia eram em menor quantidade, nunca em menor intensidade. O lamento era algo que lhe reconfortava, dava-lhe esperança de que algo poderia ser diferente. Mas o que o incomodava era o que não ouvia, o barulho que não faz o contentamento, a descrença... a entrega de tantos machucava-lhe a alma, cortava-lhe o resto dos pulsos que jaziam intocáveis das feridas que a guerra lhe trouxe. Onde estava o choro dos que sentiam dor? Onde estavam as lágrimas que cortavam o rosto barramento, cinzento de pó, de lixo, de tudo o que aquele lugar havia se tornado.
Num momento pegou-se olhando ao seu redor, como se pegara tantas e tantas vezes, ao fundo via carros tombados, tantos e tantos que acreditaria que os edifícios ainda estavam de pé, um rio que, por mais que tente esquecer, a vívida memória lhe fazia companhia, para lembrá-lo a cor vermelha que correu por tantos meses, a cor do sangue de tantos mortos que ali foram jogados, estraçalhados por alguém que não podiam ver, agora, a água já estava barrenta novamente, lá haviam pessoas, aos montes, enfiando seus copos naquela água e bebendo, sem se preocupar com o que ali havia, sem se preocupar com doenças, pestes, morte... Talvez bebessem a água com o intuito de enfim, encontrar a morte, que, num momento de felicidade única, lhes daria o seu beijo final e assim, descansariam do pesar da vida...
Apertou o papel na mão, tentou chorar, mas, naqueles dias, meses ou anos, quem sabe, as lágrimas haviam se secado, como o barro que torra ao sol, algo no coração de todos havia torrado, a única coisa que conseguiam era o lamento, e, depois de tanto tempo, grande parte dos que tinham esse dom, simplesmente, tomaram consigo seu copo e foram deitar-se à beira do rio sangrento. Desamassou o papel, leu novamente o que havia escrito e perguntou-se: - Será que ainda posso gritar? - falou tão baixo, que, nem em um milhão de anos teria força para acreditar em sí mesmo, ou que daquele fraco pulmão pudesse sair uma propulsão de ar capaz de manifestar o sentimento que ali lhe aflorava, naquele instante, naquele momento, um sentimento tão grande, mas tão grande, que, se pudesse expressá-lo de outra forma, não haveria formas no mundo que ele conhecia, que fossem, pelo menos em um momento, capazes de exprimir o que só um grito poderia.
E gritou...
E foi ouvido...
E pensou estar sorrindo...
Mas estava, chorando...
Num momento pegou-se olhando ao seu redor, como se pegara tantas e tantas vezes, ao fundo via carros tombados, tantos e tantos que acreditaria que os edifícios ainda estavam de pé, um rio que, por mais que tente esquecer, a vívida memória lhe fazia companhia, para lembrá-lo a cor vermelha que correu por tantos meses, a cor do sangue de tantos mortos que ali foram jogados, estraçalhados por alguém que não podiam ver, agora, a água já estava barrenta novamente, lá haviam pessoas, aos montes, enfiando seus copos naquela água e bebendo, sem se preocupar com o que ali havia, sem se preocupar com doenças, pestes, morte... Talvez bebessem a água com o intuito de enfim, encontrar a morte, que, num momento de felicidade única, lhes daria o seu beijo final e assim, descansariam do pesar da vida...
Apertou o papel na mão, tentou chorar, mas, naqueles dias, meses ou anos, quem sabe, as lágrimas haviam se secado, como o barro que torra ao sol, algo no coração de todos havia torrado, a única coisa que conseguiam era o lamento, e, depois de tanto tempo, grande parte dos que tinham esse dom, simplesmente, tomaram consigo seu copo e foram deitar-se à beira do rio sangrento. Desamassou o papel, leu novamente o que havia escrito e perguntou-se: - Será que ainda posso gritar? - falou tão baixo, que, nem em um milhão de anos teria força para acreditar em sí mesmo, ou que daquele fraco pulmão pudesse sair uma propulsão de ar capaz de manifestar o sentimento que ali lhe aflorava, naquele instante, naquele momento, um sentimento tão grande, mas tão grande, que, se pudesse expressá-lo de outra forma, não haveria formas no mundo que ele conhecia, que fossem, pelo menos em um momento, capazes de exprimir o que só um grito poderia.
E gritou...
E foi ouvido...
E pensou estar sorrindo...
Mas estava, chorando...
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