Naquela ilha, ao sul do mar sem vida, as pessoas tateavam-se, afim de reconhecer alguém, para que pudessem conversar, falar sobre o que não viam, ou sobre algum esbarrão em um velho conhecido. O assunto que todos negavam dar-lhe um mísero comentário, era o que não se via, era a escuridão que tomava conta daquela pequena ilha, ninguém sabe o que realmente aconteceu, e, se soubessem, com certeza não falariam, desde o dia, que aquela nuvem, que, de tão pequena não faria graça nem aos enamorados em busca de formas foi crescendo, tomando conta do céu, apagando a memória visual de todos, apagando os monumentos, as praças, aquele velho farol que agora, não brilhava, morrera sem dar a luz aos outros. O sol foi embora, e com ele, toda a esperança de um povo.
Não se via ali fogueiras, velas ou candelabros, as pessoas acostumaram-se à escuridão, deram-se à cegueira da mente, sendo que seus olhos estavam sãos. Ela, que se identificava com tapas carinhosos nos que encontrava, pensou ouvir um grito, que de tão alto e tão forte, talvez pudesse um mundo todo abalar, mas, resignou-se, "deve ser minha pobre imaginação" - pensou, e se pôs novamente, a andar no seu passo lento, afim de ver ali algo que lhe desse coragem de abrir os olhos da mente... mas, não viu nada, como sempre...
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